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Conversa sobre Jesus ser filho de Deus

     Vou colocar neste post a conversa que tive com um amigável sujeito a quem chamarei de “Leitor”.

Leitor:

     Assisti a seu vídeo completo e reconheço que você fez uma profunda pesquisa e respeito a sua interpretação. Estou enviando o que é dito pelos adventistas que também acreditam que Jesus é Miguel. Em sua opinião, o que eles dizem nesse texto abaixo sobre Jesus está certo ou errado?

     OS ADVENTISTAS DO SÉTIMO DIA TAMBÉM ENSINAM QUE JESUS É MIGUEL. MAS VEJA O QUE É DITO SOBRE JESUS ABAIXO, E PERGUNTO, É ASSIM QUE VOCÊS ACREDITAM COM RELAÇÃO A JESUS?

     Realmente, a Bíblia afirma em diversos textos que Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo – a Três Pessoas – são um Deus no sentido de UNIDADE e não de personalidade. Dois dos muitos textos que distinguem as Pessoas da Divindade e as igualam na essência Divina são Mateus 28:19 e Judas 1:20,21:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome [no grego onoma – nome – este termo está igualando as Três Pessoas!] do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”
“Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.”

     Apenas esses dois textos já seriam suficientes para provar que a Divindade é composta por Três Pessoas iguais em podercaráter propósito. Mas, com personalidades distintas.

     Em Lucas 1:31, 32, o anjo liga o nome “Jesus” com o “Filho do Altíssimo” a quem o Senhor “dará o trono de Davi”. Jesus é o Filho de Deus. É também o Cristo, o Messias, que restaurará o trono de Davi, não como um libertador terreno, mas no sentido escatológico de que Ele finalmente derrotará Satanás em sua tentativa de usurpar o trono do próprio Deus. Aos pastores, o anjo anunciou que o bebê que estaria na manjedoura era “o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lc 2:11).

     Ao mesmo tempo, o título “Filho de Deus” não só afirma a posição de Cristo na Divindade, mas também revela a estreita e íntima relação que Jesus tinha com Deus, o Pai, enquanto esteve na Terra. Contudo, a relação entre o Pai e o Filho não é a mesma que nós temos com Deus. Enquanto nossa relação é resultado da obra de Cristo, tanto como Criador quanto como Redentor, Sua relação para com o Pai, como Filho, é a de um entre três parceiros iguais e eternos. Através de Sua divindade, Jesus conservou os laços mais íntimos possíveis com o Pai.

“Jesus disse: ‘Meu Pai, que está nos Céus’, como a lembrar aos discípulos que, enquanto por Sua humanidade Ele Se achava ligado a eles, participante das provações deles, e compadecendo-Se deles em seus sofrimentos, por Sua divindade estava em comunicação com o trono do Infinito” (Ellen G. White, O Desejado de Todas as Nações, p. 442).

     O que significa para nós o fato de que Jesus é Deus no mais pleno sentido? Embora essa verdade tenha muitas implicações, uma delas é que, embora fosse Deus, Jesus condescendeu não apenas em tomar sobre Si nossa humanidade, mas em Se oferecer como sacrifício por nós nessa humanidade. Estamos falando de Deus, aqui! Que maravilhosa esperança essa verdade tem para nós, devido ao que ela nos diz sobre Deus e como realmente Ele é?

     Embora Jesus tivesse plena consciência de que era tanto o Filho do Homem como o Filho de Deus (Lc 22:67-70), “Filho do Homem” era a maneira favorita de nosso Salvador Se referir a Si mesmo. Ninguém mais se dirigiu a Ele por esse título.

     As únicas outras ocorrências do termo estão no discurso de Estêvão (At 7:56) e em Apocalipse 1:13 e 14:14. O termo aparece mais de 80 vezes nos evangelhos, e 25 vezes em Lucas. O uso que Lucas faz do título mostra o profundo interesse do autor na humanidade de Jesus como o Homem universal enviado por Deus para proclamar as boas-novas da salvação.

“A humanidade do Filho de Deus é tudo para nós. É a corrente de ouro que nos liga a Cristo, e por meio de Cristo a Deus. Isso deve constituir nosso estudo. Cristo foi um homem real; deu prova de Sua humildade, tornando-Se homem. Entretanto, era Ele Deus na carne”.

     A subordinação de Cristo em relação ao Pai é apenas funcional devido à encarnação dEle. Na redenção, cada Pessoa da Divindade assumiu uma função diferente. 1 Coríntios 15:24-28, por exemplo, trata da subordinação funcional de Cristo durante a eternidade, pois Ele continuará para sempre com a natureza divino-humana. A questão aqui abordada não é que a natureza de Cristo é inferior à do Pai. Isso por pelo menos dois motivos:

1) O próprio Paulo diz em Romanos 9:5 que Jesus é Deus Bendito;

2) Apocalipse 22:1 e 3 mostra que Jesus, mesmo estando subordinado ao Pai (na função) por causa de Sua encarnação, estará no comando do universo.

     Cristo não poderia ser inferior ao Pai na essência divina porque aí teríamos que admitir o politeísmo, que ensina que há um “Deus maior” e outro “deus menor”. Agradeço sua atenção e fico aguardando sua resposta.

Resposta de A Verdade é Lógica

Olá.

     As implicações da tese apresentada neste e-mail são muito contraditórias. Primeiro, o fato de haver 3 entidades apresentadas em sequência não significa em nada que elas sejam um único Deus. Mateus 24:36 apresenta 3 entidades: os anjos, o filho e o Pai, mas não há motivos para se pensar que estes são os mesmo Deus.

     Atos 3:13 menciona Abraão, Isaque e Jacó… 3 personagens em sequência. Mas estes não são 1 único ser… Um único humano… Não. São 3 seres humanos, um que antecede o outro.

     O próprio termo “Filho” exige uma diferença temporal entre Deus e o Filho de Deus. Este termo também exige um nascimento e uma separação ontológica – dois seres divinos. Se Jesus é filho de DEUS, e ao mesmo tempo Jesus é o próprio Deus de quem é filho, então Jesus é filho de si mesmo. Isso é absurdo. Se dissermos que Jesus é filho do PAI, e admitirmos que esse pai é plenamente Deus, então Jesus será outro Deus igual a Deus – Politeísmo.

     Não há como fugir do fato de que os termos Pai e Filho exigem uma divisão ontológica (2 seres divinos distintos) e uma divisão temporal.

     Quanto à “subordinação funcional”, isso não tem base bíblica. A subordinação exige uma separação. Não existe função menor quando se trata da função de Deus. Deus sempre terá a maior das funções.

  • Deus não é filho de ninguém. (Salmo 90:2);

  • Deus não é homem (Oséias 11:9);

     A ideia de Deus ser homem e Deus ao mesmo tempo é sem sentido. Espero ter ajudado. Abraço.

Resposta do leitor

    Olá, agradeço sua disposição em responder. Veja essa breve explanação:

     Jesus é Filho de Deus. Nós somos criados à imagem de Deus. Ser Filho e ser criado tem uma diferença grande. Filho é gerado do Pai, é da mesma natureza e substância do Pai. Os anjos e os homens que foram criados não são da mesma natureza e substância que o Pai e o Filho. Ser criado é vir à existência do não existente. E ser gerado é vir à existência do que já existe.

     Se o Pai é Deus, o que foi gerado a partir dele é Deus também. Maria é humana, e quando Jesus foi gerado no seu ventre se tornou um humano. Portanto, Jesus quando estava junto ao Pai era Deus como seu Pai; quando veio a terra e foi gerado de Marai se tornou humano como sua mãe. Espero que tenha entendido o porquê Jesus é tanto Filho de Deus quanto Filho do homem.

     Jesus e o Pai são UM na natureza, não em pessoa. JESUS É DEUS PORQUE É FILHO DE DEUS.

Um abraço.

Resposta de A Verdade é Lógica

     Obrigado por sua resposta. Conforme dito, ser gerado exige 2, não 1. Se Jesus é gerado de Deus, então ele é outro ser POSTERIOR a Deus.

  • Adão era filho de Deus (Lucas 3:38).

     Ser filho de Deus significa ser criado por Deus para refletir seus atributos.

  • Os anjos são chamados de “filhos do verdadeiro Deus”. (Jó capítulos 1 e 2)

     As suas colocações são gritantemente POLITEÍSTAS. Se Jesus é Deus porque é gerado de Deus, então existem 2 Deuses – matemática básica. Assim, você é politeísta. Dizer que Jesus é Deus porque é gerado por Deus é Politeísmo – 2 Deuses. Seja como for, Jesus é POSTERIOR a Deus. (Você ignorou completamente este fato). Assim como ninguém pode ser Pai de si mesmo, Jesus, tendo a Deus como Pai, não pode ser o mesmo Ser que Deus é.

     Você falou que existe uma diferença entre ser gerado e ser criado. Errado. Não apenas não há base bíblica pra isso, como também a Bíblia atesta justamente o oposto.

     Veja a seguinte expressão hebraica:

“chûl chíyl”/khool, kheel/

[gerar, parir, produzir, trazer à existência]

     Ela não é usada para um suposto ser “gerado mas não criado”. Essa expressão traz o sentido de “gerar como que com dores de parto”. Veja a análise a seguir:

  • “Não é ele seu Pai, que o trouxe à existência.” – Deuteronômio 32:6.

  • “Você se esqueceu da Rocha que o gerou [yâlad, /yaw-lad’/ – gerar, parir, nascer], e não se lembrou do Deus que o deu à luz. [chûl chíyl, /khool, kheel/ – gerar com dores].”– Deuteronômio 32:18.

 

     Analisemos mais passagens similares:

  • “Será que você foi o primeiro homem a nascer, [yâlad, /yaw-lad’/ – gerar, parir, nascer] Ou foi dado à luz[chûl chíyl, /khool, kheel/ – gerar com dores] antes das colinas?” – Jó 15:7, compare com Provérbios 8:22-30.

  • “Antes de nascerem [yâlad, /yaw-lad’/ – gerar, parir, nascer] os montes, ou de teres formado [chûl chíyl, /khool, kheel/ – gerar com dores] a terra e o solo produtivo.” – Salmo 90:2.

     Com essa análise breve, vemos que simplesmente não há diferença na essência da mensagem entre ser gerado e ser criado, pois ambas as formas trazem a ideia de algo/alguém que passa a ser ou existir.

    Você disse:

“Se o Pai é Deus, o que foi gerado a partir dele é Deus também.”

    Aqui há um truque de palavras. Se o que gera é DIVINO, o que é gerado é DIVINO. As TJs (Testemunhas de Jeová) acreditam na divindade de Cristo, pois pregamos que “a Palavra era um deus”. (João 1:1 Tradução do Novo Mundo)

     Mas o que você está esquecendo é que quando alguém é gerado, esse alguém PASSA A EXISTIR. Deus nunca passou a existir. (Salmo 90:2) Assim, há uma DIFERENÇA TEMPORAL entre aquele que gera e aquele que é gerado. [VOCÊ IGNOROU COMPLETAMENTE ISSO].

     Dizer que Jesus é o mesmo Deus que aquele que o gerou é dizer que Deus não existia e ele mesmo deu a si próprio a existência que ele não tinha – absurdo.

     Você disse:

“Jesus quando estava junto ao Pai era Deus como seu Pai;”

     Você simplesmente está ignorando 3 fatos gritantes:

1) A diferença temporal;

2) A pluralidade de divindades;

3) A divindade superior de quem gera;

     Pai antecede filho. Filho vem à existência por causa do Pai. Você e seu filho são 2 humanos, não o mesmo humano. Vocês não são “da mesma essência”, como se fossem gêmeos siameses. Vocês não são um único ser com 2 cabeças.

     Assim também, Pai e filho são 2 divindades distintas, não a mesma divindade. E também não há nenhum motivo para se pensar que a divindade do filho seja igual a do Pai – politeísmo. Pois a divindade do Eterno é superior à divindade do gerado.

     Você disse:

“Filho é gerado do Pai, é da mesma natureza e substância do Pai.”

     Isso é politeísmo – 2 Deuses co-iguais. Você claramente se atrapalha com os usos dos termos  “natureza” e “substância”. Visivelmente você não sabe o significado dessas palavras no modo como usa. Ter a mesma natureza de Deus não faz de ninguém o Deus supremo.

2 Pedro 1:4

“Por intermédio destas coisas ele nos tem dado gratuitamente as promessas preciosas e mui grandiosas, para que, por intermédio delas, vos tornásseis PARCEIROS DA NATUREZA DIVINA, tendo escapado da corrupção que há no mundo pela concupiscência.” (TNM)

     Note que os cristãos que irão para o céu se tornarão “parceiros da natureza divina“, ou seja, terão natureza divina. Mas isso não fará deles outros Deuses iguais ao Eterno.

     Quanto à “substância”, isso é politeísmo. Se eu tenho 2 perfumes da mesma substância, então eu tenho 2 perfumes, não 1 perfume. Dizer que Jesus é da mesma substância de Deus é dizer que existem 2 Deuses.

     Você não é da mesma substância que seu filho. Seu filho não existia antes de você GERÁ-LO. Gerar significa trazer à existência. Seja como for, você não percebe que para que Jesus seja gerado, ele precisa PASSAR A EXISTIR. Alguém eterno não pode ser gerado. Alguém gerado não pode ser eterno.

Você disse:

“Os anjos e os homens que foram criados não são da mesma natureza e substância que o Pai e o Filho.”

     Ninguém é da mesma substância de Deus. Ah, explique o que significa ser da mesma “substância”. Você claramente não está sabendo o que significam os termos que usa.

Você disse:

“Ser criado é vir a existência do não existente. E ser gerado é vir a existência do que já existe.”

     Errado. Para que alguém seja criado por Deus, tal pessoa deve existir na mente de Deus. O criador tem o atributo da existência e ele dá existência aos homens e anjos. Então, Deus dá às suas criaturas o atributo que Ele possui em si mesmo como parte de sua natureza: a existência.

     E, conforme você mesmo disse: “ser gerado é VIR A EXISTENCIA”. BINGO. Sendo assim:

1) Ser gerado significa vir à existência;

2) Jesus foi gerado;

Logo: Jesus veio à existência.

     Se Jesus veio à existência, então Jesus não é eterno. Se Jesus não é eterno, então ele não é o mesmo Deus que o Pai, porque Deus, o Pai, é eterno.

     Obrigado, espero que tenha entendido.

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um comentário

  1. Um dia Jeova vai me dá todo este conhecimento e sabedoria!

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