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O reinado de Cristo – Refutação # 1

          Chegou até nós, do grupo A Verdade é Lógica, uma matéria de autoria desconhecida, cujo título é “O Reinado de Cristo: Quando?”. Nessa matéria, o autor apresenta seus argumentos no sentido de negar o significado bíblico do ano de 1914, como o ano do estabelecimento do Reino de Deus (conforme defendido pelas Testemunhas de Jeová); ele tenta provar que Jesus Cristo começou a governar no Reino de Deus no ano 33 EC.

           A seguir apresentaremos na íntegra a argumentação do objetor. E, depois da cada trecho, temos a satisfação de apresentar nossa refutação. Para fins de formatação, optamos por deixar em itálico a objeção.

OBJEÇÃO

Capítulo
À DIREITA E O TRONO DE DEUS
    O fato é que Cristo, logo após sua ressurreição, sentou-se à direita do trono de Deus, e também no trono de Deus:
    Mas ele ofereceu um só sacrifício pelos pecados para sempre e sentou-se à direita de Deus – Hebreus 10:12
    […] olhando atentamente para o Agente Principal e Aperfeiçoador da nossa fé, Jesus. Pela alegria que lhe foi apresentada, ele suportou a morte numa estaca de tortura, desprezando a vergonha, e se sentou à direita do trono de Deus – Hebreus 12:2
    Àquele que vencer, concederei se sentar comigo no meu trono, assim como eu venci e me sentei com o meu Pai no trono dele – Apocalipse 3:21
    O que significa o trono de Deus?
    No entanto, eu lhes digo: Não jurem de modo algum, nem pelo céu, pois é o trono de Deus. – Mateus 5:34
    Conforme explicado pelo próprio Jesus, o trono de Deus é o céu. Esse céu simboliza um domínio sob o controle de Deus que atuará sobre a nova terra que simboliza a nova sociedade humana.
    Mas há novos céus e uma nova terra que aguardamos segundo a promessa dele, e nesses morará a justiça – 2 Pedro 3:13
    Baseando-se nesses textos, estar Jesus sentado no trono dele (à direita de Deus) ou no próprio trono de Deus não faz diferença visto que Deus e Jesus não possuem tronos literais. Antes, esses tronos representam o domínio de Deus – seu Governo ou Reino – que em determinada parte do texto de Apocalipse 3:21 é apresentado sob a administração de Jesus e noutra sob a administração de Deus.

OBJEÇÃO

Capítulo
QUANDO COMEÇOU O REINADO DE CRISTO
    Após o seu sacrifício [e ressurreição] Cristo foi entronizado Rei:
    Mas ele ofereceu um só sacrifício pelos pecados para sempre e sentou-se à direita de Deus – Hebreus 10:12
    Àquele que vencer, concederei se sentar comigo no meu trono, assim como eu venci e me sentei com o meu Pai no trono dele – Apocalipse 3:21
    Jesus se ofereceu como sacrifício em 33EC quando também venceu, ou, provou sua lealdade a Jeová ao morrer íntegro. Segundo a Bíblia esses eventos não ocorreram em 1914. Porém, há quem afirme com base em Hebreus 10:13 que após seu sacrifício e ressurreição Cristo esperou até 1914 para ser entronizado Rei e iniciar seu Governo:
[…] daí em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos debaixo dos seus pés – Hebreus 10:13
    Mas o que a Bíblia tem a explicar sobre isso? Os próximos tópicos apresentarão textos e perguntas para reflexão que ajudarão no esclarecimento desse detalhe.

 

REFUTAÇÃO

Capítulos

À DIREITA E O TRONO DE DEUS

E

QUANDO COMEÇOU O REINADO DE CRISTO

           É verdade, como afirma o autor da matéria que estamos refutando (doravante denominado apenas “autor”), que a Bíblia amiúde fala dos céus como o trono de Deus (vide Isaías 66:1). O Salmo 11:4 diz que “o trono de Jeová está nos céus”. Apesar de que nem sempre é assim. 1 Crônicas 29:23 diz que Salomão “sentou no trono de Jeová”. Será que Salomão governou desde o céu? Jeremias 3:17 chama Jerusalém de trono de Jeová. Em Ezequiel 43:7 Jeová descreve o Templo da visão de Ezequiel como o “lugar do meu trono”.

           Porém, o raciocínio apresentado nesses capítulos é falho porque supõe erroneamente que “sentar-se no trono” e “sentar-se à direita de Deus” são sinônimos de “começar a reinar” e “entronizar”. Isso é falso.

           Por exemplo, Provérbios 20:8 menciona a ocasião em que “o rei se senta no trono para julgar” (esse é o caso de Jesus em Mateus 25:31). Logo, às vezes “sentar no trono” significa julgar.

           Também, lemos em 1 Reis 2:19:

“Assim, Bate-Seba compareceu perante o rei Salomão para falar com ele em favor de Adonias. O rei se levantou imediatamente para ir ao encontro dela e se curvou diante dela. Então se sentou no seu trono e mandou colocar um trono para a mãe do rei, para que ela se sentasse à sua direita.”

 

            Note: Bate-Seba ‘sentou-se em um trono’ “à direita” do Soberano. Mas ela não “começou a reinar” nem foi “entronizada” como rainha. Na verdade ela foi honrada. Nesse caso sentar-se no trono significou honra. Salomão estava obedecendo à lei: “honre […] sua mãe” (Êxodo 20:12).

             O autor associa trono a Reino ou domínio. Dizer que “trono” sempre simboliza “reino” é falso. Por exemplo, lemos literalmente em 1 Samuel 2:8 que Jeová dá aos humildes “um trono de glória” (veja Rbi8, TB, A21, ARC). Detalhe: essa expressão foi dita quando não havia reis em Israel. Agora observe que muitas traduções verteram tal expressão como “um lugar de honra(NM revisada, KJA, OL, RVP, BJ, NTLH, NVI, Viva). Em 2 Reis 25:28 muitas traduções também vertem “trono” como “o lugar de maior honra” (veja NVI, A21, KJA).

            Confirmando que “trono” também simboliza “honra” há ainda o caso de Eliaquim, filho de Hilquias. O profeta Isaías referiu-se a ele, em Isaías 22:23 como um “um trono de honra” – A21, ARC, ARA, BL, Young’s (“um trono de glória, Rbi8, NM, MC, TB, BJ, NVI. “um assento de honra e trono de glória”, KJA). Contudo, Eliaquim nunca foi rei, nunca reinou. Seu “trono de honra” referiu-se a ele ser enaltecido a uma posição superior, a posição de administrador da casa do Rei (Isaías 36:22; 37:1, 2; 2 Reis 18:8; 19:1, 2).

             Portanto, “trono” pode representar “honra” (como no caso de Bate-Seba adrede mencionado, que sentou-se num trono à direita do Rei).

              É nesse último sentido que Jesus, ao voltar para o céu, sentou-se no trono “à direita de Deus” – no sentido de que ele foi honrado por Jeová, conforme descrito em Filipenses 2:9:

“Deus o enalteceu a uma posição superior e lhe deu bondosamente o nome que está acima de todo outro nome”.

               Sim, naquela ocasião Deus o “coroou de glória e honra(Hebreus 2:9).

               Mas ele não começou a reinar naquele momento, pois as Escrituras são inequívocas ao afirmar que haveria um período de espera, como analisaremos mais adiante (Hebreus 10:13).

 

OBJEÇÃO

Capítulo
A ESPERA
Se Cristo estava esperando desde sua ressurreição para ser entronizado em 1914, por que Satanás e a morte ainda existem sendo que a espera seria até seus inimigos, o que inclui a morte, serem postos debaixo dos seus pés, ou reduzidos a nada?
[…] daí em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos debaixo dos seus pés – Hebreus 10:13
Pois ele tem de reinar até que Deus lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos pés. E o último inimigo a ser reduzido a nada é a morte – 1 Coríntios 15:26
Sobre o texto de Hebreus 10:13 surge a questão: se “Cristo teria de esperar para ser entronizado em 1914”, e essa espera seria até seus inimigos serem postos debaixo dos seus pés, por que o apóstolo Paulo afirmou que antes disso (dos inimigos serem postos debaixo de seus pés) Cristo já estaria reinando?
Pois ele tem de reinar até que Deus lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos pés. E o último inimigo a ser reduzido a nada é a morte – 1 Coríntios 15:26
Outro detalhe a respeito dessa espera continua nas palavras do apóstolo Paulo:
A seguir, o fim, quando ele entregar o Reino ao seu Deus e Pai, depois de ter reduzido a nada todo governo, toda autoridade e poder – 1 Coríntios 15:23b-24
Se Jesus é “entronizado em 1914” com seus inimigos sendo postos debaixo de seus pés, e a bíblia diz que após isso ele entrega seu Reino ao seu Pai, quanto tempo lhe sobra para reinar? Nenhum. Isso mostra quão contraditória é a interpretação de Hebreus 10:13 aplicada ao período de espera da ressurreição até a entronização em 1914. Sob o ponto de vista de 33EC essa espera é coerente, uma vez que, como ninguém sabe o dia nem a do julgamento – apenas Jeová sabe, o que restaria a Cristo seria esperar até Jeová revelar e o esmagamento dos seus inimigos começar.
OBJEÇÃO
Capítulo
ESPERANDO OU REINANDO
O Cântico Profético do Salmo 110 nas estrofes 1 e 2 esclarece esse “aparente” equívoco bíblico.
Jeová declarou ao meu Senhor:
“Sente-se à minha direita,Até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés.” Jeová estenderá desde Sião o cetro do seu poder, dizendo: “Domine no meio dos seus inimigos. – Salmo 110:1, 2
A espera de Cristo não poderia ser uma espela pela entronização em um momento futuro (1914) visto que a profecia do Salmo diz que seu domínio, ou reinado, ocorreria no meio dos seus inimigos, não após seus inimigos serem reduzidos a nada por ele. Seria contraditório dizermos que “Cristo esperaria até seus inimigos serem postos debaixo dos seus pés” e depois disso estarem novamente no meio dele. Isso faz surgir a seguinte pergunta: Como os inimigos foram reduzidos a nada (postos debaixo dos seus pés no inicio do seu reinado) e depois voltaram a existir no seu meio? Reinar entre seus inimigos para depois reduzi-los a nada é uma informação mais coerente comparada com a ideia da espera. O apóstolo Paulo explicou algo relacionado ao domínio de Cristo que apoia a informação do Salmo 110:
Porque ele determinou um dia em que vai julgar a terra habitada com justiça, por meio de um homem a quem designou. E ele deu garantia disso a todos os homens por ressuscitá-lo dentre os mortos – Atos 17:31  
Jeová determinou um dia para julgar a humanidade e “a respeito [desse] dia e [da] hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas somente o Pai” (Mateus 24:36). Se apenas Jeová sabe o dia do julgamento dos inimigos de Cristo, então, o que resta a Cristo é esperar por esse dia reinando no meio dos seus inimigos para depois, ao chegar o dia, finalmente reduzi-los a nada.

 

REFUTAÇÃO

Capítulos

A ESPERA

E

ESPERANDO OU REINANDO

          Em primeiro lugar, convém evitar o erro do autor, que aparentemente desconhece a diferença entre “estrofe”, “verso” e “versículo”. “Verso” é cada linha, ou período, do texto poético. “Estrofe” é um grupo de versos com sentido completo (como exemplo, veja o Salmo 119, que é dividido em 22 estrofes, correspondentes às letras hebraicas). Já “versículo”, ou “verseto”, é como convencionou-se chamar cada subdivisão dos capítulos bíblicos. É fácil ver que o autor confunde “estrofe” com “versículo”. Dito isso, passemos ao mais importante.

           Além do erro semântico, o autor ainda comete dois erros básicos na argumentação que apresenta nesses capítulos:

         O primeiro erro é que pressupõe que “colocar os inimigos debaixo dos pés” fosse sempre sinônimo de “destruí-los”, “eliminá-los”, “reduzi-los a nada”. Nem sempre é assim, como veremos.

          Em 1 Reis 5:3 Salomão diz a respeito de seu pai, Davi, que “Jeová colocou os seus inimigos debaixo da sola dos seus pés.” Tal expressão significa que Jeová deu a Davi autoridade superior à de seus inimigos, como o próprio Davi explicou no Salmo 18:47, 48:

“Ele me sujeita os povos. Ele me livra dos meus inimigos irados. Tu me elevas bem acima dos que me atacam”.

 

        Não significa, porém, que cada inimigo de Davi foi “esmagado”, “reduzido a nada”. Por exemplo, dois inimigos de Davi, a saber, Hadade (de Edom) e Rezom (de Zobá) ainda incomodaram a Salomão muito tempo depois da morte de Davi (2 Reis 11:14-25).

        Continuando nesse raciocínio, observe a tradução literal do Salmo 110:1b, a saber:

“Até que eu ponha os teus inimigos como escabelo para os teus pés.” (NM nota, Rbi8, ARC, TB, BJ)

 

         Usa-se aqui “escabelo” como figura de linguagem. A expressão hebraica traduzida “escabelo” é hadhóm raghláyim. A mesma expressão aparece em Isaías 66:1, onde Jeová diz:

“A terra é o meu escabelo” (Rbi8, ARC, TB, BJ).

         Ser posta a terra, no texto, como escabelo de Jeová não corresponde a ela ser “esmagada” por Ele, ou “reduzida a nada”. Significa que Jeová exerce domínio sobre a terra; que ele é superior, mais elevado, do que a terra (vide Isaías 55:9). Atente para o seguinte: tal domínio de Jeová sobre a terra lhe dá o direito de destruí-la, se fosse do seu propósito – mas Ele revelou na Bíblia que a destruição da terra não faz parte de seu propósito (Eclesiastes 1:4, Salmo 37:29, 104:5).

          Outro exemplo: em 1 Crônicas 28:2, Davi diz que era seu desejo construir uma casa, ou templo, que serviria “como escabelo para Deus”. É bem evidente que Davi não falava de construir um templo para ser “esmagado” ou “reduzido a nada” por Deus. Entender que Davi tivesse tal desejo é absurdo.

         Além disso, Davi afirma, no Salmo 8:6, sobre o homem em geral (e Paulo depois aplicou a Cristo, em Hebreus 2:8):

“Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos;  Puseste tudo debaixo dos seus pés:”

          À base desse texto, se “colocar debaixo dos pés” é sinônimo de “destruir”, como pressupõe erroneamente o autor, será que Cristo destruirá, ou esmagará, “tudo” e todos? É óbvio que não.

           A Bíblia Viva, nesse texto,  verte a expressão literal “colocar debaixo dos pés” como dar “autoridade”.

           Veja novamente o texto conforme a TNM:

“Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; Puseste tudo debaixo dos seus pés:”

           Notou o paralelismo? “Colocar debaixo dos pés” é paralelo a “dar domínio”. Veja o mesmo texto na Bíblia Pastoral:

“Tu o fizeste reinar sobre as obras de tuas mãos, e sob os pés dele tudo colocaste

          Novamente, observe o paralelismo: “colocar sob os pés” é sinônimo de “fazer reinar” (veja também Young’s Literal Translation).

          À base dessa evidência bíblica, constatamos que ter  “algo sob os os pés” significa ter domínio sobre esse algo. Tal domínio pode, ou não, ser exercido por se “destruir”, “esmagar” o objeto dominado.

          Logo, quando o Salmo 110:1 diz que Jesus teria de esperar até Deus colocar seus inimigos “debaixo dos seus pés” isso significa que ele teria de esperar até que que Deus lhe “desse domínio” e o “fizesse reinar”, (basta comparar o v.1 com o v.2 – “colocar os inimigos debaixo dos pés” equivale, não a destruí-los, mas a receber “domínio no meio de tais inimigos”). Isso aconteceria na ocasião predita em Daniel 7:13, 14:

“vi alguém parecido com um filho de homem vir com as nuvens dos céus; ele obteve acesso ao Antigo de Dias e foi conduzido à sua presença. E foi-lhe dado domínio, honra e um reino, para que os povos, nações e línguas o servissem”.

          É isso que nos explica A Sentinela de 15 de agosto de 1990, ao dizer que ter Jesus “seus inimigos sob os pés” significa o “predomínio de Jesus sobre seus inimigos”. Esse domínio de Cristo dá a ele o direito, a autoridade, de esmagar seus inimigos, o que ele fará no momento futuro determinado por Jeová (veja Salmo 110:5, 6; 2:8). É nesse sentido que a obra Estudo Perspicaz das Escrituras, volume 1, página 831, explica que aqueles colocados sob os pés de Jesus são os “inimigos a serem esmagados pelo governo do Messias (Sal 110:1).” Quando se daria tal esmagamento? A mesma obra explica:

Depois do Reinado Milenar de Cristo, durante o qual ele reduzirá a nada toda autoridade e poder em oposição a Deus, ele entregará o Reino ao seu Deus e Pai, que se tornará então “todas as coisas para com todos”. (Ro 8:33; 1Co 15:23-28)” – Perspicaz, volume 1, página 692.

 

           A explicação é manifesta: Cristo recebe domínio sobre seus inimigos ao ser entronizado, e, mais tarde, na hora determinada por Jeová, exerce esse domínio por eliminá-los (a saber, na ocasião descrita em 1 Coríntios 15:23-28).

          Outro erro do autor é inferir que Salmo 110:1b e 1 Coríntios 15:25 falam do mesmo acontecimento. Ora, o mero fato de dois textos usarem fraseologia similar não significa que falem do mesmo acontecimento, do mesmo ponto na História.

           Para ilustrar: Davi, na ocasião em que levou a arca do pacto a Jerusalém, exclamou: “Jeová tornou-se Rei(1 Crônicas 16:31). É evidente que Jeová já era Rei (Êxodo 15:18). Mas estar a arca, que representava a presença de Jeová, agora na capital da nação foi certamente um evento especial. Pois bem, muito tempo depois, Isaías predisse a ocasião em que a nação de Israel seria libertada do cativeiro em Babilônia, e profetizou que então se diria: “Seu Deus tornou-se rei(Isaías 52:7). O ponto é: fraseologia similar para dois eventos distantes 500 anos na corrente do tempo.

           E para tentar apoiar sua tese (não sabemos se foi proposital ou se simplesmente não leu os textos com atenção), o autor omite na argumentação uma diferença fundamental entre Salmo 110:1b e 1 Coríntios 15:25 – a palavra “TODOS“.

            De modo que Salmo 110:1b, 2 fala da ocasião em que Cristo começa a reinar dominando entre seus inimigos; ao passo que 1 Coríntios 15:25 complementa o assunto, ao nos ensinar que, a partir do momento em que começa a reinar (1914), Cristo

tem de reinar até que [Deus] lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos seus pés.

 

             Em outras palavras, 1 Coríntios 15:25 (cujo contexto faz referência à “presença” de Cristo, v.23) mostra que ele continua exercendo seu reinado, subjugando seus inimigos, até que todos eles sejam eliminados, o que ocorrerá no fim do Reinado Milenar de Cristo.

OBJEÇÃO

Capítulo
OS MIL ANOS
A Bíblia não diz que o reinado de mil anos (reinado milenar) será de Cristo, diz apenas que os santos reinarão por mil anos no Governo de Cristo, assim é correto acreditar que os mil anos serão um período em que eles realizarão julgamentos tanto de humanos quanto de espíritos malignos.
Vi tronos, e aos sentados neles foi dada autoridade para julgar. Sim, vi as almas dos que foram executados por causa do testemunho que deram de Jesus e por terem falado a respeito de Deus, vi aqueles que não tinham adorado a fera nem a imagem dela e não tinham recebido a marca na testa e na mão. Eles voltaram a viver e reinaram com o Cristo por mil anos. – Apocalipse 20:4 
Feliz e santo é todo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre eles a segunda morte não tem autoridade, mas serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos – Apocalipse 20:6
Ou vocês não sabem que os santos julgarão o mundo? E, se o mundo será julgado por vocês, será que vocês não são capazes de julgar questões de tão pouca importância? Não sabem que nós julgaremos anjos? – 1 Coríntios 6:2
Vi tronos, e aos sentados neles foi dada autoridade para julgar. Sim, vi as almas dos que foram executados por causa do testemunho que deram de Jesus e por terem falado a respeito de Deus, vi aqueles que não tinham adorado a fera nem a imagem dela e não tinham recebido a marca na testa e na mão. – Apocalipse 20:4 
Conforme descrito em Apocalipse 20:4 e 1 Coríntios 6:2 o reinado milenar é um período específico para os ressuscitados, ou os santos que “não adoraram a fera nem a imagem dela” realizarem o julgamento de humanos e de espíritos malignos. Não caberá a eles realizar a prisão de Satanás, tampouco reduzir a morte a nada, mas unicamente a Cristo como descreve a bíblia:
Porque ele determinou um dia em que vai julgar a terra habitada com justiça, por meio de um homem a quem designou. E ele deu garantia disso a todos os homens por ressuscitá-lo dentre os mortos. – Atos 17:31
Ele pegou o dragão, a serpente original, que é o Diabo e Satanás, e o prendeu por mil anos – Apocalipse 20:2

OBJEÇÃO

Capítulo
PERGUNTAS
Se apenas Jeová sabe o dia e a hora do julgamento, afirmar que Jesus começou a reinar em 1914 e este reinará por mil anos, culminando no julgamento e destruição dos seus inimigos ainda dentro do seu reinado, não significa prever para o ano de 2914 o dia desse julgamento?
Se o reinado milenar está aplicado a Cristo, e este começou a reinar em 1914, não era para Satanás ter sido preso logo em 1914 visto que sua prisão tem a duração de mil anos e a doutrina do Reinado Milenar aplicada a Cristo inclui a prisão de Satanás ainda dentro desse período?

 

REFUTAÇÃO

Capítulo

OS MIL ANOS

E

PERGUNTAS

          Aqui o autor associa corretamente o Milênio como o futuro “Dia do Julgamento” e tempo de ressurreição, mas comete outro erro ao afirmar:

“A Bíblia não diz que o reinado de mil anos (reinado milenar) será de Cristo”.

             Essa afirmação claramente é falsa em vista de Apocalipse 20:4, 6 que fala dos cristãos que “reinaram com Cristo por mil anos”, e que “serão sacerdotes de Deus e do Cristo, e reinarão com ele durante os mil anos”. Claramente, o reinado milenar é de Cristo, e outros, alguns cristãos, reinarão com ele.

             Note-se ainda que a profecia em momento algum afirma que Jesus reinará apenas mil anos, como o autor sugerirá adiante ao inferir que  o entendimento das Testemunhas de Jeová implica o milênio acabar em 2914. Isso é falacioso. A profecia apenas descreve o Milênio como um tempo especial em que Satanás estará preso, um tempo de ressurreição e julgamento dentro do reinado de Jesus. É um período especial que começa com a prisão de Satanás e vai até o momento que a “morte é lançada no lago de fogo”, isto é, o mesmo acontecimento relato em 1 Coríntios 15:23-26:

“…durante a sua presença. A seguir, o fim, quando ele entregar o Reino ao seu Deus e Pai, depois de ter reduzido a nada todo governo, toda autoridade e poder. Pois ele tem de reinar até que Deus lhe tenha posto todos os inimigos debaixo dos pés. E o último inimigo a ser reduzido a nada é a morte.”

            Biblicamente há o período chamado “presença de Cristo” (Mateus 24:3, período que corresponde à “terminação do sistema de coisas”). Essa “presença” Jesus comparou aos “dias de Noé”, aos dias antes do Dilúvio – destruição (Mateus 24:37-39). Assim, há o período da presença de Cristo (período inicial de reinado, haja vista que a palavra parousia significava uma visita real) que termina na destruição (Armagedom, 2 Pedro 3:7, 12). Depois disso “haverá novos céus e uma nova terra” – o que começa com o Milênio pós-Armagedom descrito em Apocalipse 20 (compare 2Pedro 3:7, 12, 13 com Apocalipse 20:11 e 21:1).

            Disso conclui-se que ao atacar a data de “2914” o autor simplesmente ataca um espantalho criado por ele mesmo, pois tal data nada significa, nem faz parte do entendimento bíblico das Testemunhas de Jeová.

OBJEÇÃO

Capítulo
UM SUB-REINADO MESSIÂNICO
Alguns dizem com base no texto de Colossenses 1:13 que o sentar de Cristo à direita de seu Pai significou o início de seu Governo apenas para os discípulos ungidos (ASSOCIAÇÃO TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1992). Em seguida, em 1914, esse reino se estendeu para toda a humanidade.
Ele nos livrou da autoridade da escuridão e nos transferiu para o reino do seu Filho amado – Colossenses 1:13 
Essa afirmação diz que Cristo começou a reinar não para a humanidade, porém concorda que Cristo começou a reinar. A ideia de um sub-reinado (inicialmente apenas para os ungidos) não se encontra em parte alguma da bíblia. Sobre a interpretação isolada do texto de Colossenses 1:13 um detalhe passa desapercebido: o contexto. O contexto descreve que os discípulos estavam em escuridão espiritual e Jeová os livrou através de Cristo. A transferência para o Reino de Cristo mencionada por Paulo não significa que eles passaram a estar governados por Cristo através de um Reino diferente do Messiânico. Como mostrado na página 4 dessa dissertação, “reino” significa domínio, assim serem os discípulos transferidos para o Reino de Cristo provavelmente significou que a influência do Mestre através de seus ensinos passou a dominar a vida deles a ponto de serem libertos da escuridão espiritual. Em contrariedade à ideia de um sub-reinado a bíblia apresenta as seguintes afirmações.
Tudo que o Pai tem é meu. – João 16:15
Ele está à direita de Deus, pois foi para o céu; e anjos, autoridades e poderes foram sujeitos a ele. – 1 Pedro 3:22
O Pai ama o Filho e entregou todas as coisas em suas mãos. – João 3:35
A partir desses textos podemos acreditar que Cristo passou a dominar sobre todas as coisas que pertencem a ele, o que inclui os cristãos ungidos e os da grande multidão. Isso evidencia, também, que o Reino dos Céus não é dividido como se mostram os sistemas politico-religiosos descrito em Mateus 12:25, pois, “tudo o que Jeová tem pertence a Cristo”. Assim, essas evidências bíblicas apoiam o início do reinado de Cristo em 33 EC não somente para os discípulos ungidos, mas para todas as coisas que pertence a ele.

REFUTAÇÃO

Capítulo

UM SUB-REINADO MESSIÂNICO

             Aqui o autor comete um anacronismo claro. Ele cita:

“Tudo o que Pai tem é meu” – João 16:15
“O Pai ama o Filho entregou todas as coisas em suas mãos” – João 3:35

            E a seguir afirma:

“Assim essas evidências bíblicas apoiam o início do reinado de Cristo em 33 EC”.

             Essa afirmação é falsa e contraditória. Porque nos textos citados Jesus não estava falando da ocasião em que seria entronizado. E, se Jesus estivesse falando de quando começaria a reinar, isso contradiria a afirmação do autor, pois as citadas declarações de Jesus foram proferidas, respectivamente, nos anos 32 e 30; e Jesus usou os verbos no presente e no passado. Se Cristo ali falasse de seu reinado, como pretende o autor, tal reinado teria começado antes de 33 EC. Como já expusemos, o contexto das declarações era outro: ele falava de seus discípulos e do espírito santo que viria a ser derramado sobre eles – compare com João 17:6, 9, 10.

           O autor cita Colossenses 1:13 e menciona seu contexto. Daí, faz algumas observações irrelevantes. Vejamos então o contexto, para entender o que era, de fato, o “Reino do Filho”. Colossenses 1:5 mostra que Paulo falava àqueles que tinham esperança celestial. Colossenses 1:13  menciona o “reino do Filho”.

           E então, para esclarecer o assunto:

Colossenses 1:18 – “E ele [Cristo] é a cabeça do corpo, que é a congregação.

           Vemos na Bíblia que houve em 33 EC um cumprimento limitado, preliminar, do Salmo 8:6 (“Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos; Puseste tudo debaixo dos seus pés”). Sabemos disso por causa do que Paulo explica em Efésios 1:22:

“Sujeitou-lhe também todas as coisas debaixo dos pés e o fez cabeça sobre todas as coisas no que se refere à congregação“.

           Observe que tal cumprimento inicial de Salmo 8:6 foi limitado ao âmbito da congregação. Em outras palavras, no ano 33 EC, Cristo começou a reinar apenas sobre a congregação de cristãos ungidos.

           Vemos que este não era o cumprimento mais pleno do Salmo 8:5 no que Paulo escreveu pouco depois em Hebreus 2:8 (“Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele.”). Como já vimos nesta refutação, Jesus começa a reinar tendo seus inimigos sob os pés em 1914, e continua reinando até que todos seus inimigos sejam postos sob seus pés e eliminados.

          Por fim, o entendimento de que Cristo reina primeiro sobre um grupo restrito, a congregação de cristãos ungidos (Colossenses 1:13) e só mais tarde sobre a humanidade em geral (Apocalipse 11:15) está em plena harmonia com o fato de que Jesus Cristo é mencionado profeticamente como “Davi” (Ezequiel  34:23, 24; 37:24, 25) e se diz que ele “herda o trono de Davi” (Lucas 1:32). Por que dizemos haver harmonia? Porque Davi, quando se tornou rei, reinou primeiro sobre um grupo limitado e específico, “a casa de Judá” (2 Samuel 2:4), e somente mais tarde ele passou a reinar “sobre todo o Israel” (2 Samuel 5:1-5; 1 Crônicas 11:1-3). Algo similar se deu com Jesus Cristo, o Davi Maior.

           Além dos erros argumentativos já expostos, o autor ainda agride a Língua Portuguesa pelos notórios erros de concordância  (“os sistemas politico-religiosos descrito“; “todas as coisas que pertence a ele”), e ao usar o verbo “desaperceber” em lugar de “desperceber”. Evidentemente, o autor não sabe a diferença entre esses dois verbos. O primeiro (“desapercebido”) significa “desprevenido”, “despreparado”, “desprovido”. Exemplo de uso correto desse verbo: “o autor mostra-se desapercebido de argumentos bíblicos sólidos para sustentar sua tese”.

OBJEÇÃO

Capítulo
A GUERRA NO CÉU ENTRE MIGUEL E JESUS
Outros dizem que o reinado de Cristo em 1914 é apoiado pelas seguintes profecias:
Por inspiração estive no dia do Senhor, e ouvi atrás de mim uma voz forte, semelhante ao som de uma trombeta – Apocalipse 1:10
Ouvi uma voz alta no céu dizer: “Agora se realizou a salvação, o poder e o Reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, porque foi lançado para baixo o acusador dos nossos irmãos, que os acusa dia e noite perante o nosso Deus – Apocalipse 12:10
Irrompeu uma guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalharam contra o dragão, e o dragão e os seus anjos batalharam, mas eles não venceram, nem se achou mais lugar para eles no céu. Assim, foi lançado para baixo o grande dragão, a serpente original, o chamado Diabo e Satanás, que está enganando toda a terra habitada. Ele foi lançado para baixo, à terra, e os seus anjos foram lançados para baixo junto com ele. – Apocalipse 12:7-9
Segundo a interpretação dessas profecias a Primeira Guerra Mundial que ocorreu em 1914 foi diferente de todas as outras porque Satanás foi expulso do céu à Terra. Essa ideia é um tanto quanto contraditória pois tanto Satanás como os demônios já se encontravam em ambientes terrestres desde a criação do homem. É o caso dos demônios que tomaram esposas humanas na época de Noé, o demônio que reproduziu o corpo do profeta Samuel para uma médium espírita, Satanás que matou os filhos de Jó e disputou o corpo de Moisés, os demônios expulsos para as manadas de porcos por Cristo, etc. Isso significa que a guerra no céu entre Jesus e Satanás que resultou em sua expulsão pode significar um simbolismo bíblico, assim como exploca Jonsson (2004):
Na linguagem figurada da Bíblia, a elevação de uma pessoa a uma alta posição pode ser comparada a tal pessoa ser “exaltada ao céu” ou “aos céus” onde ela pode ser comparada a uma estrela. De maneira correspondente, a humilhação de uma pessoa, sua derrota ou queda de uma alta posição, podem ser comparadas a tal pessoa ser lançada para baixo ou cair “do céu”. Em sua predição da queda do orgulhoso e arrogante rei de Babilônia, o profeta Isaías usou esta imagem retórica: “Como você caiu do céu, ó brilhante, filho da aurora! Como você foi derrubado por terra, você que derrotava nações’. Você disse no seu coração: ‘Subirei aos céus. Elevarei o meu trono acima das estrelas de Deus e me sentarei no monte de reunião, nas partes mais distantes do norte”. – Isaías 14:12-13
Outro exemplo que apoia a expulsão de Satanás e os demônios do céu como um possível simbolismo foi descrito pelo discípulo Lucas:
Os 70 voltaram então com alegria, dizendo: “Senhor, até mesmo os demônios nos obedecem pelo uso do seu nome.” Em vista disso, ele lhes disse: “Vejo Satanás já caído como relâmpago do céu. – Lucas 10:17-18
Não parece provável que Jesus viu Satanás cair literalmente, antes, o bom relatório dos discípulos na divulgação das Boas Novas já dava certeza de sua queda, ou perda de domínio sobre seus futuros discípulos, o que pode ter sido consumado através da simbólica guerra nos céus em que Satanás foi “lançado para baixo” (Apocalipse 12:7-9), ou caiu, simbolizando a perda definitiva desse domínio. Esse entendimento pode ser apoiado pelo texto de Colossenses 1:13 cuja informação descreve a transferência dos discípulos de Cristo para seu domínio (Reino) ao serem libertos da escuridão espiritual.
O fato da expulsão de Satanás ter sido um evento ainda a acontecer para João que escreveu as profecias no ano de 96 EC conforme Apocalipse 1:1 menciona, leva-nos a entender que esse evento não poderia ser aplicado ao passado, ou seja, a 33 EC (quando Cristo começou a reinar). Porém, conforme já explicado no parágrafo anterior, ser aquela expulsão, ou queda à Terra, um evento simbólico significando a perda de seu domínio sobre os discípulos de Cristo, seu cumprimento poderia ocorrer em qualquer momento no futuro a partir de 33 EC, algo que não desvalidaria esse ano como tendo sido o início do seu reinado visto que o “dia do Senhor” se estenderia no futuro (ASSOCIAÇÃO TORRE DE VIGIA DE BÍBLIAS E TRATADOS, 1990).

 

REFUTAÇÃO

Capítulo

A GUERRA NO CÉU ENTRE MIGUEL E JESUS

          O autor acerta quando afirma sobre Lucas 10:17, 18 que a exclamação de Jesus ali simplesmente significa que os eventos de então davam certeza da futura queda de Satanás.

          Mas erra claramente ao afirmar que a expulsão de Satanás em Apocalipse 12 é simbólica da sua perda de domínio sobre os discípulos. Essa explicação carece de base, é frágil e artificial. As Escrituras não falam de um acontecimento específico no qual Satanás “perderia o domínio sobre os cristãos”. Pelo contrário, mais de 30 anos antes de João antever a queda de Satanás, Tiago declara como um fato: “oponham-se ao Diabo e ele fugirá de vocês” (Tiago 4:7).

          O autor afirma que “queda”, na Bíblia, pode representar humilhação e derrota, como em Isaías 14:12. É verdade. Mas é irrelevante, pois uma “queda” no sentido de humilhação e derrota muitas vezes acompanha uma queda, ou expulsão, literais. Não são conceitos mutuamente exclusivos. Vejamos exemplos bíblicos que ilustram esse fato:

Juízes 5:27: “[Sísera] tombou aos seus pés; caiu e ali ficou. Tombou aos seus pés e caiu; Onde tombou, ali caiu derrotado.”

          Vemos que Sísera “caiu” no sentido de ser derrotado. Mas sua queda foi igualmente literal, pois Baraque literalmente “viu Sísera caído morto” – Juízes 4:22.

           1 Samuel 4:18 relata que “Eli caiu da cadeira para trás”. Certamente sua queda literal representou também humilhação, haja vista que resultou de um julgamento divino adverso. Foi uma evidência do “desprezo” de Jeová (1 Samuel 2:30-35).

           2 Reis 9:33 relata a queda de Jezabel. Ela foi literalmente “jogada para baixo”. É claro que sua queda representou para ela derrota e humilhação (foi comparada a “estrume” – 2 Reis 9:37), mas nem por isso foi menos literal.

           Que uma expulsão literal também pode representar humilhação ou derrota vê-se claramente em muitos exemplos bíblicos, como os seguintes: Adão e Eva (Gênesis 3:23), Agar e Ismael (Gênesis 21:10), Jefté (Juízes 11:2, 7), Abiatar (1 Reis 2:27), Nabucodonosor  (Daniel 4:33, 37, 5:20, 21), cambistas (Mateus 21:12). Todas essas expulsões representaram humilhação ou derrota, mas nem por isso foram menos literais.

           De modo que o fato de “queda” às vezes representar humilhação e derrota de modo algum invalida que a queda e expulsão do Diabo seriam também literais. Ao ser literalmente expulso do céu, Satanás sofreu também uma “queda” por ser humilhado e derrotado por Miguel.

           Outro fato evidencia como a explicação do autor de que a queda de Satanás “simboliza perder domínio sobre os discípulos” é descabida. Ora, os discípulos estavam na terra. A expulsão de Satanás resultou em ai para a terra, incluindo para os discípulos. Resultou em perseguição contra os cristãos. Enquanto que no céu resultou em alegria – Apocalipse 12:12, 17. Vemos assim que tal expulsão não é apenas simbólica, mas literal.

           O autor ainda apresenta evidências de que Satanás (e seus demônios) já percorria a Terra antes disso. É óbvio. Mas é outra observação irrelevante. Sua expulsão do céu resultou em ele ficar restrito à Terra. Não pode mais  acessar os céus. Para ilustrar: imagine um aluno rebelde. Todos os dias ele entra e sai da escola. Um dia, por mau comportamento, ele é expulso da escola. Isso quer dizer que agora ele está restrito. Não pode mais entrar na escola. Foi isso que aconteceu com Satanás.

           Por fim, o autor consegue a proeza de refutar a si próprio (o que facilita muito nosso trabalho). Confesso que fiquei surpreso ao ler que admite:

“A queda de Satanás era um evento futuro para João, que escreveu o Apocalipse em 96EC.”
“Portanto, não poderia se aplicar ao passado, a 33 EC.”

          Ainda mais sofrível do que vê-lo derrubar seu próprio argumento é a justificativa que ele dá, basicamente a de que um simbolismo pode ser anacrônico. Poucas vezes vi uma justificativa tão fraca. Dá a impressão de que ele simplesmente desistiu de tentar justificar o injustificável.

          Voltando à sua frágil justificativa: já vimos que a queda do Diabo foi literal, não apenas um simbolismo. Mas o autor despercebe outro ponto crucial: Apocalipse 12:10:

AGORA se REALIZOU a salvação, o poder e E O REINO do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, porque foi lançado para baixo o acusador dos nossos irmãos, que os acusa dia e noite perante o nosso Deus”

         Veja como a Bíblia evidentemente associa a realização do Reino de Deus (e a autoridade exercida por Jesus nesse Reino) à queda de Satanás. Assim, valendo-nos dessa verdade e de fatos que o próprio autor reconhece:

“A queda de Satanás ainda era futura em 96EC.”

            A queda de Satanás está cronologicamente vinculada à realização, ou estabelecimento do Reino às mãos de Cristo (Apocalipse 12:10).

          Logo, Cristo passaria a exercer autoridade régia no Reino de Deus em alguma data posterior a 96 EC. Consequentemente, 33 EC está descartada como data do estabelecimento do Reino. (E o autor ainda tem coragem de chamar o claro e harmonioso ensino bíblico defendido pelas Testemunhas de Jeová de “confuso e contraditório”. Acho que o nome disso é “projeção”.)

 

OBJEÇÃO

Capítulo
INVALIDAÇÃO DE 1914 COMO UM ANTÍTIPO
A revista A Sentinela (2015) na seção Perguntas dos Leitores faz a seguinte observação:
Como humanos, não podemos saber quando os relatos da Bíblia representam algo maior. Então qual é a melhor atitude nesse caso? Aceitamos a explicação que a própria Bíblia dá quando ela diz que um personagem, um acontecimento ou um objeto representa algo maior no futuro. Mas não devemos dizer que um relato bíblico representa algo maior se a Palavra de Deus não dá nenhum motivo para fazer isso.
Essa declaração se referiu ao método tipo e antítipo utilizado por muitos anos para a explicação de coisas do presente ou futuro (algo maior) baseadas em coisas do passado (algo menor), por exemplo: Jefté, Jó e Rebeca foram tipos, “ou representações simbólicas”, dos atuais cristãos ungidos – o antítipo. Todavia, é importante ressaltar que o cálculo utilizado para apontar 1914 como o ano de início do reinado de Cristo está estruturado no método tipo e antítipo. Os sete tempos (sete anos) em que Nabucodonosor ficou demente se tornou o tipo dos sete tempos proféticos (antítipo) constituídos de 2520 anos os quais iniciaram em 607 AEC e finalizaram em 1914. Com base nisso, é correto acreditar que a data de 1914 se torna inaceitável, pois “não devemos dizer que um relato bíblico representa algo maior se a Palavra de Deus não dá nenhum motivo para fazer isso”.

 

REFUTAÇÃO

Capítulo

INVALIDAÇÃO DE 1914 COMO UM ANTÍTIPO

           Nesse capítulo o autor reproduz parte de um excelente artigo de A Sentinela sobre a questão de tipos e antítipos. No artigo, o “escravo fiel” revela sua “prudência” e preocupação de não ir “além das coisas escritas” ao explicar que não devemos afirmar que algo foi típico se a Bíblia não indicar que assim foi (Mateus 24:45; 1 Coríntios 4:6). Em outras palavras, se a Bíblia se cala, nós nos calamos. Mas o artigo não afirmou que não existem tipos e antítipos. Pelo contrário, A Sentinela menciona exemplos bíblicos sólidos de tipos e antítipos.

               Por exemplo, Hebreus 8:5 nos diz que o antigo Tabernáculo era uma “cópia de coisas celestiais”. A palavra grega traduzida “cópia” é týpon, isto é, “tipo“. De modo que a existência de tipos e antítipos é solidamente bíblica.

              Então a questão é: será que a Palavra de Deus nos dá motivos para acreditar que os sete anos de insanidade de Nabucodonosor foram típicos de um período maior (em extensão e importância)? Recorramos a Daniel 4:

Daniel 4:11, 26 – “a árvore atingiu os céus“, “são os céus que governam”.

              Vemos aqui que estavam envolvidas realidades celestiais. Nabucodonosor nunca governou os céus.

Daniel 4:17 – Qual era o objetivo da visão?

“para que todos os que vivem saibam que o Altíssimo [não Nabucodonosor] é Governante no reino da humanidade”.

             Algo maior do que o governo de Nabucodonosor estava envolvido: o Governo e o Reino do Altíssimo.

Daniel 4:17 – “ele [o Altíssimo] o dá [isto é, o reino] a quem quiser, e estabelece sobre ele até mesmo o mais humilde dos homens.”

            Quem seria o mais humilde dos homens a quem o Altíssimo daria o Reino? Zacarias 9:9 retrata o Messias, Jesus Cristo, como este “Rei humilde“.

Daniel 4:2, 3 – “Tenho a satisfação de declarar os sinais e as maravilhas que o Deus Altíssimo realizou com respeito a mim. Como são grandes os seus sinais e como são poderosas as suas maravilhas! Seu reino é um reino eterno, e seu domínio é de geração após geração”.

             O próprio Nabucodonosor entendeu e reconheceu algo que o autor não consegue ou não quer reconhecer: que o sonho de Daniel 4 e os eventos relacionados envolveriam algo muito maior que o reinado de Nabucodonosor. Sim, envolveriam o Reino e o Domínio do Deus Altíssimo. Reino esse mencionado em Daniel 2:44. Domínio esse que o Filho do Homem recebe de Deus em Daniel 7:13, 14.

             Assim, há farta evidência que os 2520 dias de insanidade de Nabucodonosor tipificaram um período maior envolvendo o Reino de Deus. Algo parecido aconteceu em relação a outros períodos bíblicos:

  • Números 14:34 – os 40 DIAS de espionagem da terra tipificaram os 40 ANOS de peregrinação no deserto.

  • Ezequiel 4:5 – os 390 DIAS da encenação de Ezequiel tipificaram 390 ANOS de pecado de Israel.

  • Ezequiel 4:6 – os 40 DIAS de encenação do profeta tipificaram 40 ANOS de culpa de Judá.

             Qualquer pessoa sincera reconhecerá aqui um padrão: quando períodos de tempo são típicos de algo maior, aplica-se a regra de 1 dia por 1 ano.

             Vimos evidência de que o tempo de loucura de Nabucodonosor cumpriu o sonho da árvore, e que tais acontecimentos foram típicos de algo maior (o Reino de Deus).

              Logo, aplicando a regra de 1 dia por 1 ano, convertemos 2520 dias em 2520 anos – período que transcorreu de 607 AEC a 1914 EC (futuramente apresentaremos outro estudo específico sobre a data de 607 AEC).

              Antes de encerrarmos a refutação a esse capítulo, pelo bem da Língua Portuguesa, não convém passar por alto o erro elementar, básico, primário, de concordância do autor, quando escreve os sete tempos em que Nabucodonosor ficou demente se tornou o tipo dos sete tempos…”. Incidentalmente, a incapacidade do autor de concordar o verbo com o sujeito reflete sua incapacidade de concordar seus argumentos com a Bíblia, a Palavra de Deus.

OBJEÇÃO

Capítulo
CONCLUSÃO
Conforme analisado, a bíblia dá forte apoio ao início do reinado de Cristo logo após sua ressurreição no ano de 33 EC. Algo que não se pode dizer sobre o ano de 1914, pois, ao afirmar que Cristo após ser ressuscitado esperou até seus inimigos serem postos debaixo de seus pés nesse ano, gera grotescas contradições em eventos proféticos e na cronologia secular que auxilia na datação bíblica. Evidencia, também, que o poder e autoridade de Criador não possui validade, uma vez que, ao se especular uma data futura baseada na interpretação de textos isolados ou na combinação engenhosa de singularidades contidas nas profecias, tira-se de Jeová aquilo que exclusivamente pertence a ele, a saber: a revelação dos eventos futuros:
A respeito daquele dia e daquela hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, mas somente o Pai – Mateus 24:36
Sejam vigilantes, mantenham-se despertos, pois vocês não sabem quando é o tempo determinado – Marcos 13:33
Portanto, mantenham-se vigilantes, porque vocês não sabem em que dia virá o seu Senhor. – Mateus 24:42
Ele lhes disse: “Não cabe a vocês saber os tempos ou as épocas que o Pai colocou sob sua própria autoridade”. – Atos 1:7
Os profetas e os apóstolos não foram presunçosos ao lidar com as profecias que escondiam segredos divinos a serem revelados  
Pois, acima de tudo, vocês sabem que nenhuma profecia das Escrituras se origina de interpretação pessoal. – 2 Pedro 1:20
Não tratem as profecias com desprezo. Certifiquem-se de todas as coisas – 2 Tessalonicenses 5:20, 21
[…] profetize contra os profetas de Israel e diga aos que inventam suas próprias profecias: ‘Ouçam a palavra de Jeová. Assim diz o Soberano Senhor Jeová: “Ai dos profetas insensatos que seguem as suas próprias ideias, sem terem visto coisa alguma! – Ezequiel 13:2-3
[…] sim, no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, compreendi pelos livros o número de anos para se cumprir a desolação de Jerusalém, conforme mencionado na palavra de Jeová dirigida ao profeta Jeremias; seriam 70 anos. – Daniel 9:2
Essas sábias declarações de homens inspirados do passado já seriam suficientes para qualquer humano esbarrar no princípio da espera em Jeová em vez de recorrer a especulações sobre eventos futuros. Portanto, que aprendamos a ser humildes por entender que SOMENTE JEOVÁ possui o poder de dizer quando este ou aquele evento irá ocorrer, e não deixemos que nossos egos nos faça acreditar que temos licença para interpretar coisas que se encontram em segredo na mente do Criador.
“Certifiquem-se sempre do que agrada ao Senhor. Portanto, parem de ser insensatos, mas compreendam qual é a vontade de Jeová”. – Efésios 5:10, 17

REFUTAÇÃO

Capítulo

CONCLUSÃO

           Bem, já refutamos os frágeis argumentos apresentados pelo autor. Concluamos tecendo alguns comentários sobre a “conclusão” dele.

            Diz o autor:

“Conforme analisado a bíblia dá forte apoio ao início do reinado de Cristo logo após sua ressurreição no ano 33 EC”.

            Essa declaração é capciosa. Como já abordamos, Cristo de fato começou a reinar em 33 EC, mas APENAS sobre a congregação cristã. Sobre o ensino bíblico envolvendo 1914, ele diz que “gera grotescas contradições”. Tivemos oportunidade de analisar onde estão realmente as grotescas contradições.

             Continua o autor:

“Evidencia que o poder e a autoridade do Criador não possui [outro erro crasso de concordância] validade, uma vez que, ao especular sobre data futura…”

What?!!

            Estudar profecias bíblicas à luz da própria Bíblia não é, de forma alguma, “especular”. Depois o autor cita Mateus 24:36, 42 e Marcos 13:33, textos em que Jesus falava, não do momento de sua entronização (como tenta fazer parecer o autor), mas do dia e hora em que viria, ou voltaria, como Juiz e Executor para “ajustar contas” (compare Mateus 24:36, 42 com Mateus 24:50, 51; 25:13, 19, 31-33). Essa “vinda” ou “volta” de Cristo aconteceria algum tempo “depois de se tornar rei”, como lemos em Lucas 19:11, 12, 15, numa parábola paralela à de Mateus 25 (veja também o paralelo em Marcos 13:32-37). Logo, o “dia e hora” desconhecidos referem-se ao tempo em que Jesus virá como Juiz e Executor, nos eventos que culminarão no Armagedom (Apocalipse 16:16; 19:11-16). Como se vê, não se tratava do tempo em que Jesus seria empossado no Reino de Deus – pois o dia para isso já estava claramente indicado nas profecias bíblicas, como Daniel 4.

           Cita erroneamente 2 Pedro 1:20, texto que trata, não de se interpretarem as profecias já escritas na Bíblia, mas de se produzirem profecias baseadas em interpretação pessoal.

            Diz ainda o autor:

“Somente Jeová possui o poder de dizer quando este ou aquele evento irá ocorrer, e não deixemos que nossos egos nos faça [o erro básico de concordância é dele. Mais uma vez maltratando a Língua Portuguesa. Realmente, o autor tem problemas em acertar a concordância…] acreditar que temos licença para interpretar coisas que se encontram em segredo na mente do Criador.”

           É claro que só Jeová têm esse poder. Ninguém disse o contrário. Mas Jeová não apenas tem tal poder, como Ele ‘revela a nós coisas que ainda ocorrerão’ (Isaías 42:9) Essas coisas futuras reveladas por Jeová incluem profecias que apontam para o nascimento do Reino de Deus em 1914. Ora, se Jeová revelou tais coisas, elas não se encontram mais em segredo na mente do Criador.

           Ao citar Efésios 5:10, 17, finalmente o autor aprende que citações devem vir entre aspas. Antes tarde do que nunca! Concluindo, achei demasiado irônico o autor citar Atos 1:7. Lemos no contexto que os discípulos cometeram o mesmo erro do autor. Atos 1:6:

“Assim, quando se reuniram, eles lhe perguntaram [a Jesus]: “Senhor, é AGORA [em 33 EC] que o senhor vai RESTABELECER O REINO a Israel?””

                Sim, os discípulos temporariamente pensaram, de modo equivocado, que o Reino seria estabelecido em 33 EC. Então, no v.7, Jesus lhes dá uma clara correção. E no v.8 Cristo direciona a atenção deles para o que de fato ocorreria em 33 EC, o derramamento do espírito santo. E ainda destaca no que eles deveriam concentrar-se: o obra de pregar e testemunhar.

             Os discípulos aceitaram humildemente a correção. Esperamos que o autor possa também corrigir seus conceitos equivocados, e que “pare de ser insensato”. (Efésios 5:17) É o nosso sincero desejo.

 

APÊNDICE

Ordem correta dos eventos de acordo com a Bíblia:

33EC

Cristo “senta-se” à direita de Deus numa posição de honra – Salmo 110:1

Cristo começa a “espera” – Salmo 110:1

Cristo começa a reinar sobre a congregação – Colossenses 1:13

33 – 1914

A predita “espera” de Cristo até que Deus lhe dê domínio e o ‘faça reinar’ – Hebreus 10:13; Salmo 8:6

 

1914EC

Cristo é entronizado e COMEÇA a DOMINAR tendo seus inimigos debaixo dos seus pés – Salmo 110:1b, 2; Daniel 7:13, 14

Cristo expulsa a Satanás do céu – Apocalipse 12:12

1914 – ARMAGEDOM

Período chamado de “presença de Cristo” e de “terminação do sistema de coisas”. Este período foi retratado pelos “dias de Noé”, antes do dilúvio – Mateus 24:3, 37

ARMAGEDOM – ELIMINAÇÃO DO PECADO E DA MORTE

Período especial de reinado de Cristo, chamado de Milênio – Apocalipse 20:6

FIM DO MILÊNIO

Ora, uma vez que Cristo começou a reinar em 1914EC, surge uma pergunta natural: até quando Cristo tem de reinar? Resposta:

“Ele tem de reinar ATÉ que Deus lhe tenha posto TODOS os inimigos debaixo dos pés” – 1 Coríntios15:25

Fim do Milênio também marca o fim definitivo da morte adâmica – 1Coríntios 15:26; Apocalipse 20:14

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